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Postagem: 24/12/2009
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Nos cânones, motetos e madrigais, composições que desde o século XIII constituíram o corpus do qual nasceria a moderna concepção musical, prevalecia o elemento vocal, restando aos instrumentos musicais a mera função de acompanhamento. A partir do século XV, no entanto, a instrumentação e a orquestração adquiriram papel predominante. Surgiram então formas como a suíte e a sinfonia, responsáveis pelos mais brilhantes momentos da criação musical. Grande variedade de materiais prestou-se para a fabricação de instrumentos musicais: junco, osso, madeira, plástico, seda e diversas ligas metálicas, como o bronze, foram provavelmente os mais utilizados. A imensurável quantidade de instrumentos dá uma idéia de sua importância nas culturas musicais de todos os tempos. Primitivamente, eles estavam associados à dança, ao trabalho, à religião e à medicina, práticas em que assumiam o papel de acompanhantes de cânticos e danças. Adquiriram depois identidade própria e independência e passaram a ser usados na música instrumental, que se contrapôs à música vocal, ou cantada. O bater das palmas, o sapateado e o estalar dos dedos serviram, desde as origens da expressão musical, como meios de interpretação associados à dança e à voz, e ainda permanecem nos costumes modernos como formas espontâneas de acompanhamento. Num sentido mais estrito, porém, o estudo dos instrumentos musicais abarca aqueles objetos que foram ou são fruto da elaboração artesanal de certas matérias-primas, com desenho e finalidade específicos para a produção de música. Os mecanismos para obtenção do som baseiam-se nas propriedades acústicas dos materiais e formas escolhidos e variam em função dos efeitos desejados. Assim, a vibração do próprio material de que se constituíam os instrumentos, ou do ar contido em tubos e caixas de ressonância, foi praticamente o único procedimento musical básico até o surgimento, no século XX, dos sistemas de som eletrônicos e dos amplificadores. Vestígios arqueológicos revelam que procediam de restos de animais os primeiros instrumentos musicais utilizados pelo homem, entre eles as conchas marinhas e os apitos fabricados com ossos. Tinham finalidades práticas, na caça e na comunicação a distância, e mágicas, em cerimônias rituais e para afastar espíritos malignos. A evolução histórica nas diferentes regiões do mundo mostra suas próprias particularidades, embora a comunicação musical entre culturas próximas tenha sido quase sempre intensa. Tambores, buzinas de chifre e sinetas aparecem na expressão musical dos povos primitivos. As primeiras sociedades organizadas do Mediterrâneo conheciam e utilizavam uma variada gama de instrumentos que, no entanto, desempenhavam papel secundário nas atividades. Durante a alta Idade Média, a cultura islâmica constituiu-se em veículo transmissor dos conhecimentos musicais, aproveitados pelos menestréis europeus a partir do século XII. A técnica instrumental, embora tenha evoluído, não conseguiu livrar-se de seu papel de acompanhante das vozes. De fato, embora nas formas mais antigas de expressão musical existam peças instrumentais, a generalização da composição instrumental não ocorreu até o Renascimento. No princípio, os instrumentos imitavam a música vocal, especialmente as composições escritas para coros polifônicos, em que se juntam várias melodias simultâneas e complementares. Surgiram assim as primeiras orquestras, pequenas e compostas de instrumentos da família do violino, com a participação de flautas e órgãos. O rápido desenvolvimento dos conjuntos orquestrais condicionou fortemente a subseqüente evolução dos diversos instrumentos. O barroco europeu do século XVII foi o movimento artístico em que alcançaram o apogeu as orquestras de câmara, integradas predominantemente por instrumentos de corda. O período clássico do século seguinte deu lugar a incipientes orquestras sinfônicas, de muito menor porte que as orquestras que se conheceram nos séculos XIX e XX. O século XIX assistiu a uma revolução na fabricação de instrumentos. As descobertas de Theobald Böhm para a flauta e outros instrumentos de sopro, e a consolidação do piano como solista e acompanhante ideal, graças a suas possibilidades harmônicas, isto é, de emitir vários sons ao mesmo tempo, marcaram a evolução musical da época. Como resultado das novas possibilidades, nasceram duas figuras características da época: o artesão, construtor ou luthier, preocupado em obter modelos cada vez mais perfeitos e aplicáveis às grandes orquestras, e o virtuose, ou intérprete. Theobald Böhm e outros fabricantes e inventores, ao lado de gênios musicais do porte de Franz Liszt, Frédéric Chopin e Niccolò Paganini foram algumas das mais importantes figuras da música instrumental do século XIX. Nesse período surgiu também um novo tipo de composição musical, o estudo, que pela primeira vez antepunha as necessidades de exploração das possibilidades do instrumento às de musicalidade e beleza propriamente ditas. Os estudos de Chopin são exemplares da conjugação entre o alto sentido artístico e um notável efeito prático. No século XX, o ecletismo e a grande diversidade de correntes artísticas se combinaram com uma intensa e vasta pesquisa de meios de expressão musical. Assim, a música instrumental dos séculos anteriores abriu-se para as novas tendências eletrônicas e a música folclórica foi resgatada do esquecimento, trazendo com ela instrumentos que a evolução da cultura ocidental havia banido do plano da música erudita. Distribuição e classificação dos instrumentos - Os critérios de classificação dos instrumentos musicais diferem de cultura para cultura. Assim, a cultura chinesa antiga classificou seus instrumentos segundo o material empregado na fabricação, considerando-os mais do ponto de vista simbólico do que pelas características acústicas (metais, madeiras duras, bambus, cabaças, peles e seda). As civilizações greco-romanas distinguiram os grupos de sopro, corda e percussão, classificação que se manteve durante a Idade Média e sobreviveu na organização instrumental das orquestras sinfônicas. A classificação vigente em tempos remotos na península hindustânica, conhecida como sistema indiano, cataloga os instrumentos em corda, sopro, percussão de madeira e percussão de pele. Essa divisão foi seguida, em princípios do século XX, pelo famoso belga construtor e especialista em acústica Victor-Charles Mahillon. Segundo seus critérios, os instrumentos podem ser de percussão (com ou sem membrana), de sopro ou de corda. Mais tarde foram incluídos nessa classificação os instrumentos elétricos e eletrônicos. Os instrumentos de percussão sem membrana são aqueles em que o próprio corpo da peça entra em vibração para produzir os sons, como no caso das campainhas e castanholas. A maior parte dos instrumentos desse tipo usados no Ocidente procede da Ásia e do Egito e, construídos inicialmente em bronze, adquiriram importante papel simbólico, como no caso dos sinos e crótalos. Nos instrumentos que possuem membrana, o som se produz por vibração de elementos tensos, principalmente peles (tambores, em toda a sua variedade, inclusive cuícas, chamadas tambores de fricção). Provêm da África, com grande variedade de tambores de oração e comunicação, embora também estejam presentes em outras culturas. O termo percussão foi inventado por Michael Praetorius em 1619. Os instrumentos de corda, originários do Extremo Oriente, da Índia, das civilizações mediterrâneas e da Mesopotâmia, baseiam-se na propriedade física segundo a qual uma corda vibrante emite um som de freqüência proporcional a seu comprimento. Existem quatro grandes famílias, muito difundidas em todo o mundo, cujos principais representantes são respectivamente o alaúde, a cítara, a lira e a harpa. De uso mais recente na Europa é o grupo do violino, utilizado em conjuntos instrumentais desde o Renascimento. São também instrumentos de corda aqueles dotados de teclados que fazem vibrar cordas metálicas tensas, dos quais o mais representativo é o piano, de invenção mais tardia. Sua concepção moderna é atribuída ao italiano Barlomeo di Francesco Cristofori, do século XVIII. Os instrumentos de sopro são aqueles em que o ar é o meio vibratório principal na produção do som. Incluem-se nesse grupo os grandes órgãos de tubos das igrejas, o acordeão e as seções de madeiras e metais da orquestra sinfônica, entre outros. Os termos "madeira" e "metal", embora de uso consagrado, nem sempre condizem com o material de fato empregado na construção dos instrumentos. Assim, as flautas transversas, feitas atualmente de metal, pertencem à seção das madeiras na orquestra e alguns representantes do grupo dos metais eram feitos originalmente em madeira, como é o caso das trompas. O último grupo, o dos instrumentos elétricos, é de criação mais recente e inclui o órgão e a guitarra elétricos, além dos instrumentos eletrônicos, como o sintetizador. As tendências atuais orientam-se para novas formas de obtenção e interpretação de sons, que em certas ocasiões empregam os instrumentos consagrados de forma insólita e contestadora: um violino pode ser um chocalho; no piano, o tampo pode funcionar como uma tábua de percussão e suas cordas podem ser dedilhadas como uma harpa. Não há dúvida de que a pesquisa sonora no campo instrumental pode proporcionar infinitas possibilidades acústicas e harmônicas. A partir dessa classificação geral, são usualmente empregados outros critérios de denominação genérica. Assim, teclados são todos os instrumentos acionados por teclas, como o piano (cordas) ou o acordeão (sopro); harmônicos são aqueles capazes de emitir mais de um som de cada vez (piano, violão etc.) e melódicos os que só produzem uma nota de cada vez (como a flauta e o violino); elétricos, os que precisam dessa energia para se tornarem audíveis (como a guitarra elétrica); eletroacústicos os que possuem alguma ressonância natural, amplificada eletricamente (como o violão elétrico); e acústicos, os que contam apenas com a amplificação ambiental e, caso esta não seja suficiente, precisam ser captados por um microfone (como o violão comum). Ver mais em: http://www.emdiv.com.br/pt/destaques/2044-instrumentos-musicais-historia-e-caracteristicas.html
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Postagem: 23/11/2009
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As formas simples e expressivas do blues tornaram-se uma das mais importantes influências na música popular americana. A típica pungência do blues, forma de música folclórica criada pelos escravos nos Estados Unidos, decorre do abaixamento em quartos de tom do terceiro e do sétimo às vezes também do quinto graus da escala ocidental, o que gerou as chamadas blue notes, executadas instrumentalmente com a bemolização daqueles graus da escala. A forma blues serviu na década de 1920, e depois, como arcabouço para as canções de Bessie Smith e também para o estilo pianístico percussivo que engendrou o boogie-woogie. O blues singer do sul foi uma espécie de cantador, que percorria os campos e às vezes se fixava nas cidades, cantando as tristezas e as alegrias de seu povo. Os mais famosos blues singers primitivos foram Huddie "Leadbelly" Ledbetter, William Lee Conley, "Big Bill" Broonzy e "Blind" Lemon Jefferson. A grande depressão e as guerras mundiais causaram a dispersão geográfica do blues, já que muitos negros do sul foram para o norte dos Estados Unidos. O blues adaptou-se, então, aos ambientes urbanos mais sofisticados. As letras das músicas inspiraram-se em temas urbanos e a guitarra elétrica criou um som emocionalmente intenso. Antes do surgimento do jazz orquestral, destaca-se a obra de W. C. Handy, que harmonizou o blues com os acordes "de igreja". Na década de 1930, a forma típica da improvisação do blues consistia, para um chorus em si bemol, em quatro compassos em si b, dois em mi b, dois em si b, dois em fá e dois em si b. O blues influenciou muitos outros estilos musicais, como o rock. Fonte: Portal EmDiv
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Postagem: 2/11/2009
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  A história da criação estética no Ocidente desenrolou-se, em grande parte, com a alternância de períodos "clássicos", em que predominou a busca de harmonia e proporção, e de fases caracterizadas por tendências mais livres, como o barroco e o romantismo, em que se valorizou sobretudo a expressão da subjetividade e da fantasia do artista. O termo classicismo, a rigor, refere-se a um movimento cultural baseado nos modelos da antiguidade clássica e que impôs em diferentes momentos históricos: Renascimento, século XVII e, em sua versão conhecida como neoclassicismo, entre o final do século XVIII e começo do XIX. Como traços peculiares a essa atitude estética devem ser apontados a importância conferida aos mestres gregos e romanos, o sentido das proporções, a harmonia entre as partes e o todo, a busca do equilíbrio e o desejo de imitar a natureza (mimese). Essa imitação, no entanto, não pretendia apenas a cópia, mas a seleção dos princípios básicos da realidade e sua representação racional. O classicismo, portanto, buscava antes de tudo refletir a ordem do mundo e seus componentes essenciais. Sob tal perspectiva pode-se dizer, em sentido amplo, que o classicismo constitui uma determinada atitude artística que tem reaparecido continuamente nos mais diversos momentos da história. A decomposição da natureza em suas formas geométricas, postulada pelo neo-impressionista francês Cézanne e levada ao extremo pelos cubistas, ou a arquitetura racionalista do século XX, partilham muitos dos princípios classicistas. Na realidade, os grandes mestres do classicismo nunca se limitaram a imitar modelos do passado: absorveram seu espírito, para adaptá-lo a seu próprio tempo. Antiguidade clássica - O período clássico por excelência da arte grega foi o século V a.C., quando, principalmente em Atenas, estabeleceram-se os princípios fundamentais do classicismo. Nas artes plásticas, partia-se das proporções ideais do corpo humano para chegar à proporção total no universo. Essa concepção relacionava-se às idéias dos pitagóricos, para os quais a harmonia se fundava nos números. Na arquitetura, a linguagem clássica difundiu-se com maior intensidade graças ao êxito das duas grandes ordens: a dórica, sóbria e rigorosa, e a jônica, de maior plasticidade. A Acrópole de Atenas, com seu estudado equilíbrio de ambas, constituiu a síntese do espírito grego. Uma mesma preocupação estética marcou os escultores Fídias, Miron e Policleto. Este último, com seu "Doríforo", fixou as proporções ideais do corpo humano. Embora os poemas de Homero já apresentassem concepções clássicas, foram os filósofos Platão e Aristóteles e os trágicos Sófocles, Ésquilo e Eurípides que estabeleceram as normas e princípios literários fundamentais que reapareceriam ao longo da história nas diversas versões do classicismo. Este encontrou em Platão um caminho para a idealização da realidade, enquanto que Aristóteles, em sua Poética, estabeleceu os princípios da mimese ou imitação da natureza. O mundo romano, mais pragmático, viu-se atraído pela estética grega, e acentuou seus traços naturalistas (bustos, estátuas-retrato e relevos históricos). Vitrúvio, em De architectura, consagrou o emprego das ordens clássicas. No campo da literatura, o poeta Horácio, no século I a.C. reuniu em sua Ars poetica os ensinamentos de Aristóteles - coerência, ordem, harmonia -, sustentou que a literatura deveria "ensinar e deleitar" e defendeu a necessidade de combinar o talento com o empenho reflexivo: "De que serviria o trabalho sem uma grande inspiração, ou o trabalho sem empenho? Um precisa do outro, e ambos conspiram juntos, amistosamente." A Eneida, de seu contemporâneo Virgílio, representa a expressão poética máxima dessa filosofia. Essa tradição também foi resgatada no Renascimento, por meio do humanismo. Renascimento - O movimento renascentista, iniciado no século XV, na Itália, recuperou os ideais clássicos e conciliou-os com a tradição cristã. O homem voltou a ser o centro do mundo, ao contrário da visão teocêntrica propagada na Idade Média. Desenvolveu-se o individualismo e o espírito crítico, surgiram múltiplas iniciativas e experiências que deram grande impulso ao panorama cultural. Estudaram-se, na arte, os modelos clássicos, graças em boa parte à recuperação do tratado de Vitrúvio, que tinha espírito científico, e buscou-se uma beleza perfeita, baseada na harmonia, na razão e na perspectiva, idéias que encontraram seu primeiro grande expoente em Leonardo da Vinci. Transformou-se nos principais centros do classicismo a Florença do século XV, com os arquitetos Filippo Brunelleschi e Leone Battista Alberti e o escultor Donatello, assim como Roma no século XVI, com Michelangelo, o arquiteto Donato Bramante e o pintor Rafael. O alto classicismo do século XVI teve seus mais rigorosos representantes em Bramante, que realizou o tempietto de São Pedro, em Roma, com a planta centralizada e a enorme cúpula de estilo sóbrio e austero, e em Rafael, que pintou composições equilibradas e harmoniosas, com personagens delicadas e de grande beleza ("Retrato de Baltazar Castiglione"). Em Veneza, Andrea Palladio construiu diversas mansões campestres e criou o "motivo palladiano", um vão semicircular entre dois vãos adintelados. O Renascimento literário italiano teve como seu grande precursor Petrarca, que difundiu os modelos clássicos e renovou a métrica de sua língua. Em seguida foram estudadas as teorias literárias de Horácio, resgatadas por eruditos como Gian Giorgio Trissino e Julius Caesar Scaliger, que em suas Poetice (1561; Poéticas) estabeleceu a regra das três unidades (tempo, lugar e ação), conforme o modelo aristotélico. Partindo da Itália, essa corrente classicista estendeu-se por toda Europa, chegando até à corte francesa de Francisco I (Fontainebleau), à corte espanhola de Carlos V (I da Espanha) e Felipe II (o Escorial), e à corte portuguesa de D. João III, em que viveu Camões, um dos mais altos poetas do Renascimento. Depois dos grandes mestres, porém, seus seguidores caíram frequentemente no academicismo e na imitação, realizando obras "à maneira" (maneirismo) dos grandes mestres. Esse espírito anticlássico maneirista transformou-se numa corrente barroca que, na Itália, tomou dois caminhos opostos: o naturalismo de Caravaggio e o classicismo dos irmãos Carracci, artistas ecléticos que se basearam nos grandes mestres do século XVI para decorar a galeria do palácio Farnese, e conferiram grande importância à natureza e ao desenho. Quando a estética barroca prevalecia na Europa, renasceu na França um classicismo peculiar, cujo momento de esplendor de 1654 a 1715, ocorreu no reinado de Luís XIV. O pintor Charles Le Brun e o escritor Nicolas Boileau, autor de L'art poetique (1674), obra bastante influente, impuseram oficialmente esse estilo. No princípio do século XVII esse classicismo demonstrava tranquilidade. Exemplo disso foram as telas de Nicolas Poussin, que trabalhou sobretudo em Roma e recriou o mundo da antiguidade em telas como "Paisagem com Diógenes", que elevaram ao máximo a representação intelectual da natureza. No reinado de Luís XIV, o desejo de glorificar a realeza - próprio do absolutismo monárquico - deu lugar a um estilo majestoso e imponente. Seu paradigma arquitetônico foi o palácio de Versalhes, reformado e aumentado sucessivamente por arquitetos como Louis Le Vau e Jules Hardouin-Mansart. Na literatura, imitaram-se os temas e gêneros da antiguidade, com suas regras estritas, enquanto a filosofia racionalista, com Descartes, apresentou uma visão "geométrica" do universo. Ressurgiu a dualidade horaciana da finalidade da arte: ensinar, como nas obras de Racine, e distrair, como no teatro de Molière. La Fontaine, com suas fábulas, tentou combinar os ensinamentos morais com a diversão. Na arquitetura inglesa, que sempre realizou uma síntese própria das tendências européias, durante os séculos XVII e XVIII se desenvolveu um classicismo peculiar, baseado no veneziano Palladio. Destacou-se também Inigo Jones, autor da "Casa da rainha", em Greenwich. O palladianismo desembocou no classicismo de Sir Christopher Wren, cuja catedral de São Paulo, em Londres, foi construída com uma grandiosa cúpula semelhante à da basílica de São Pedro, de Roma. Foram esses artistas os precursores do neoclassicismo inglês de Robert Adam e Lord Burlington. Neoclassicismo - Na segunda metade do século XVIII e nas primeiras décadas do XIX, voltou-se a valorizar em toda Europa o ideal clássico da clareza e harmonia como reação contra os excessos do rococó. A França mais uma vez seria a origem desse retorno aos modelos da antiguidade, que se distinguiu dos anteriores por um maior conhecimento do mundo greco-romano. Isso deveu-se sobretudo às escavações arqueológicas de Pompéia e Herculano, às pesquisas do historiador alemão Johann Winckelmann sobre a arte grega e aos desenhos de ruínas dos italianos Giovanni Paolo Panini e Giambattista Piranesi. Na França, por volta de 1760, o arquiteto Jacques Germain Soufflot recorreu aos elementos clássicos para construir a monumental igreja de Sainte-Geneviève de Paris, mais tarde o Panteão. Esse neoclassicismo arquitetônico, severo, de volumes simples e clássicos, estendeu-se por toda Europa: na Rússia, o "estilo Catarina II" teve como grande expoente o Palácio de Inverno de São Petersburgo; na Espanha, sobressaíram Ventura Rodríguez e Juan de Villanueva; e, na Alemanha, K. G. Langhans ergueu a monumental Porta de Brandemburgo, em Berlim. A escultura foi uma das mais notáveis manifestações do neoclassicismo, graças ao italiano Antonio Canova e ao dinamarquês Bertel Thorwaldsen, que preferiram a brancura do mármore à policromia, pois acreditaram, erroneamente, que toda escultura clássica era branca. A serenidade e o equilíbrio desses grandes artistas foram uma fiel recriação dos modelos gregos do século V a.C. Na pintura, o grande mestre foi o francês Jacques-Louis David, que se inspirou na antiguidade para suas representações pictóricas teatrais, de grande austeridade e harmonia, cujos ensinamentos morais eram inspirados na ética dos heróis clássicos, como "O juramento dos Horácios". Com Napoleão Bonaparte, David converteu-se em pintor oficial dos fastos do império, para propaganda e exaltação do imperador ("Coroação de Napoleão I em Notre-Dame"). O final dessa corrente pictórica contou com outro francês, Ingres, defensor da primazia do desenho. A literatura do século XVIII, como ocorrera no Renascimento, fez do ser humano a medida de todas as coisas. Apareceu a figura do "ilustrado", racionalista e empírico, erudito e crítico, voltado para a natureza e para o homem, preocupado com o saber, que tinha uma grande relação com a figura do humanista da Renascença. Os ideais românticos, porém, com sua ênfase em uma maior imaginação e na noção do "gênio" em oposição ao mero intelecto, subverteram, já no final do século, as concepções neoclássicas. Dessa forma, o alemão Johann Wolfgang Goethe, admirador do mundo grego e expoente máximo do "classicismo de Weimar", conseguiu, em suas obras, conciliar a razão com o sentimento. Também a música conheceu um período classicista, iniciado no final do século XVIII, após a morte de Johann Sebastian Bach, e que se estendeu aproximadamente até 1830, quando foi substituído pelo romantismo. Viena tornou-se a capital musical da Europa. Buscava-se uma linguagem harmônica distante das formas polifônicas barrocas, na qual predominasse o equilíbrio, a serenidade e a alegria. Sua expressão mais freqüente foram a sonata e a sinfonia. O apogeu desse movimento viu-se marcado pela supremacia da escola alemã, com Haydn e Mozart. Ao longo dos séculos XIX e XX, os sucessivos movimentos artísticos levaram a uma ruptura com a noção "acadêmica" de criação, que implicava a sujeição a determinados preceitos. Isso não significou, no entanto, o desaparecimento dos ideais greco-romanos, que sobreviveram até hoje em todos os artistas que dão ênfase à harmonia formal, ao equilíbrio e à captação do mundo.  Legenda da Imagem: Os noeses são as personalidades em que Rafael se inspirou para pintar o rosto dos diferentes filósofos gregos. Isso é claramente uma homenagem às pessoas de seu tempo: 1: Zenão de Cítio ou Zenão de Eléia 2: Epicuro 3: Frederico II, duque de Mântua e Montferrat 4: Anicius Manlius Severinus Boethius ou Anaximandroou Empédocles 5: Averroes 6: Pitágoras 7: Alcibíades ou Alexandre, o Grande 8: Antístenes ou Xenofonte 9: Hipátia (Francesco Maria della Rovere or Raphael's mistress Margherita.) 10: Ésquines ou Xenofonte 11: Parménides 12: Sócrates 13: Heráclito (Miguel Ângelo). 14: Platão segurando o Timeu (Leonardo da Vinci). 15:Aristóteles segurando Ética a Nicômaco 16: Diógenes de Sínope 17: Plotino 18: Euclides ou Arquimedes acompanhado de estudantes (Bramante) 19: Estrabão ouZoroastro (Baldassare Castiglione ou Pietro Bembo). 20: Ptolomeu R: Apeles (Rafael). 21: Protogenes (Il Sodoma ou Pietro Perugino). Fonte: http://www.emdiv.com.br/pt/arte/enciclopediadaarte/894-classicismo-renascimento-e-neoclassicismo.html
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Postagem: 7/09/2009
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Erroneamente tido como precursor do piano, o cravo difere muito desse instrumento, entre outras coisas porque suas cordas são tangidas, e não percutidas. Instrumento musical de cordas e teclado, que atingiu o apogeu na primeira metade do século XVIII, o cravo foi praticamente abandonado durante o século seguinte. No início do século XX, a redescoberta dos antigos mestres e a divulgação de um imenso e valioso repertório, produzido durante cerca de 300 anos, da Renascença ao Barroco, reabilitou o cravo. O som do cravo é produzido por meio de plectros, que puxam as cordas e as fazem vibrar, exatamente como os dedos fazem soar a corda do violão. No passado, esses plectros, montados em pequenos dispositivos denominados saltadores, eram feitos da parte dura das penas das aves, principalmente ganso ou corvo; hoje usa-se um tipo de plástico, o delrin. Uma das particularidades do cravo é a capacidade de registração, isto é, a possibilidade de obter sons diversos ao se tocar a mesma tecla. É que, para cada nota do teclado, existem três ou quatro cordas separadas, cada qual com um saltador exclusivo, e que, por terem diferentes tamanhos ou espessuras, ou por serem feridas pelos plectros em diferentes pontos de sua extensão, produzem sons diversos. Por exemplo, ao tocar um lá no teclado, pode-se obter um som arredondado, ou mais anasalado, ou um som de alaúde, ou fazer soar o lá uma oitava acima ou abaixo. A possibilidade de se combinarem essas diferentes cordas, ou tocá-las juntas, aumenta a versatilidade do instrumento e multiplica os recursos de execução. O cravo foi o instrumento de todos os compositores para teclado no século XVII e na primeira metade do século XVIII: Bach, Haendel, Domenico Scarlatti, Couperin e Rameau são os maiores nomes. As obras de Mozart, com exceção dos concertos para piano e orquestra, em sua maioria se destinavam ao cravo. As primeiras sonatas de Beethoven também foram executadas no cravo. Supõe-se que o cravo deriva do saltério ou címbalo, forma rudimentar da cítara, cujas cordas eram acionadas por meio de um plectro ou palheta de pena de ave. O cravo teria nascido da idéia de equipar esse instrumento com uma palheta para cada corda e acionar o conjunto de cordas por meio de um teclado, e dessa forma enriquecer as possibilidades do saltério. O cravo mais antigo que se conhece está no Victoria e Albert Museum de Londres. Na Inglaterra, França, Espanha e também nos domínios dos duques de Borgonha no século XIV, há menções ao eschequier, descrito numa carta de João I de Aragão a Filipe II o Audaz, duque de Borgonha, como "um instrumento igual ao órgão, mas que soa por meio de cordas". A Itália tornou-se o primeiro centro de produção de cravos, e os espalhou por toda a Europa até o surgimento dos modelos produzidos pela família Rückers, da Antuérpia, na segunda metade do século XVI. Tais modelos passaram a influenciar toda a produção européia e notadamente a da França. O século XVIII assistiu ao apogeu e declínio do cravo. Foi a base da orquestra da época e, graças a sua sonoridade, foi o instrumento dominante nos teatros e igrejas. As críticas desfavoráveis começaram na segunda metade do século XVIII, quando os novos estilos musicais impunham uma execução com nuanças entre o forte e o fraco, com crescendos e diminuendos, impossível de conseguir no cravo. Em 1795, na celebração do aniversário de Jorge III da Inglaterra, usou-se um piano no lugar do tradicional cravo para o acompanhamento do canto. Essa ocasião ficou como a data símbolo em que o cravo passou a ser considerado antiquado e obsoleto. Veio o esquecimento e durante um século o cravo passou à condição de peça de museu. Muitos cravos tiveram seu mecanismo retirado para aproveitar a caixa e transformá-los em pianos. Na França, por serem considerados instrumentos da nobreza, foram confiscados e queimados durante a revolução francesa. A ressurreição do cravo ocorreu no início do século XX, quando a pianista polonesa Wanda Landowska, apaixonada pelos antigos mestres, decidiu revivê-los usando o cravo, para o qual haviam composto. Como primeiro passo, dedicou-se pessoalmente à reconstituição do instrumento, do qual tornou-se a maior executante, e seus concertos acabaram por atrair muitos músicos para o cravo. Um de seus alunos mais famosos foi o americano Ralph Kirkpatrick. No Brasil, Roberto de Regina tornou-se o maior instrumentista e incentivador do cravo. A arte de bem tocar um cravo é um constante desafio para o intérprete, mesmo para os mais habituados à música dos mestres antigos. O cravo requer uma técnica de execução especial, completamente diferente da execução pianística. O cravista não pode usar o peso das mãos ou dos braços, nem tentar percutir a nota com maior ou menor força. Toda a técnica clavecinística repousa na obtenção de um legato perfeito básico, sobre o qual todas as nuanças, desde o molto legato ao molto staccato se farão sentir com nitidez. A registração e a riquíssima variedade de ornamentação legada pelo gosto da época completam os recursos do intérprete, que deverá ter, além de grande sensibilidade, a habilidade de expressar a estrutura vertical de um movimento de música pela exposição de suas várias seções em diferentes timbres ou em diversos níveis dinâmicos, como também sublinhar os elementos horizontais e vestir cada voz com uma cor específica. Pertencem à família do cravo a espineta, pequeno instrumento de forma triangular ou quadrangular e lados irregulares; o virginal, geralmente sem pés e colocado sobre a mesa; e a oitavina, o menor de todos, sempre colocado sobre a mesa. Esses instrumentos não ofereciam a possibilidade de registração do cravo, por terem apenas um jogo de cordas e saltadores, e portanto um único timbre. Esses foram os instrumentos de teclas mais importantes entre 1500 e 1800. O cravo, de maiores dimensões, era geralmente dotado de dois teclados, aos quais podiam juntar-se tastos - filetes metálicos que marcam a posição em que o executante deve colocar os dedos - para fazer variar o tom das cordas. Não se deve incluir o clavicórdio na família do cravo. O clavicórdio é contemporâneo do cravo, sua forma é semelhante à do virginal, mas a produção do som se faz por mecanismo inteiramente diverso: ao tocarem a corda, tangentes de metal determinam seu comprimento vibrante e produzem um som quase inaudível, mas de grande beleza e com a possibilidade de nuanças dinâmicas e também de vibrato. Fonte: http://www.emdiv.com.br/pt/arte/enciclopediadaarte/1018-o-cravo-o-instrumento-e-sua-historia.html
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Postagem: 20/06/2009
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A cólera de Aquiles, como se anuncia desde o primeiro verso, é o motivo central da Ilíada, epopéia do poeta grego Homero, que inicia a literatura narrativa ocidental. Relato de um dos episódios da guerra de Tróia, travada entre gregos e troianos, a ação da Ilíada se situa no nono ano depois do começo da guerra, a qual duraria um ano mais, e abarca no conjunto cerca de 51 dias. O título deriva de Ílion, nome grego de Tróia. O poema é constituído por 15.693 versos, em 24 cantos de extensão variável. A divisão em cantos foi feita pelos filólogos de Alexandria. A Ilíada narra um drama humano, o do herói Aquiles, filho da deusa Tétis e do mortal Peleu, rei de Ftia, na Tessália, em torno do fim da guerra dos gregos contra Tróia. Segundo a lenda, a guerra foi motivada pelo rapto de Helena, esposa do rei de Esparta, Menelau, por Páris, filho do rei Príamo, de Tróia. Agamêmnon, chefe dos exércitos gregos, arrebatara a Aquiles, o mais valoroso dos guerreiros gregos, sua cativa e amada Briseida. Em protesto, Aquiles retirou-se para o acampamento com seus guerreiros, e recusou-se a entrar em combate. É nesse momento que tem início a Ilíada, com o verso "Canto, ó deusa, a cólera de Aquiles". Para apaziguar Aquiles, Agamêmnon envia-lhe mensageiros, com o pedido de que entre na luta. Aquiles recusa-se e Agamêmnon com seus homens entram no combate. Os troianos tomam de assalto as muralhas gregas e chegam até os navios. Aquiles concorda em emprestar a armadura a seu amigo Pátroclo, que repele os troianos mas é morto por Heitor. Cheio de dor pela morte do amigo, Aquiles esquece a divergência com os gregos e investe contra os troianos, vestido com uma armadura feita por Hefesto, deus das forjas. Consegue fazer recuar para dentro dos muros da cidade todos os troianos, menos Heitor, que o enfrenta, mas aterrorizado pela fúria de Aquiles, tenta fugir. Aquiles o persegue e finalmente atravessa-lhe com a lança a garganta, única parte descoberta de seu corpo. Agonizante, Heitor pede-lhe que não entregue seu cadáver aos cães e às aves de rapina, mas Aquiles nega piedade, e depois de atravessar sua garganta mais uma vez com a lança, ata-o pelos pés a seu carro e arrasta o cadáver em volta do túmulo de Pátroclo. Somente com a intervenção de Zeus, Aquiles aceita devolver o cadáver a Príamo, rei de Tróia e pai de Heitor. O poema termina com os funerais do herói troiano. Alguns dos personagens da Ilíada, em particular Aquiles, encarnam o ideal heróico grego: a busca da honra ao preço do sacrifício, se necessário; o valor altruísta; a força descomunal mas não monstruosa; o patriotismo de Heitor; a fiel amizade de Pátroclo; a compaixão de Aquiles por Príamo, que o levou a restituir o cadáver de seu filho Heitor. Nesse sentido, os heróis constituem um modelo, mas o poema mostra também as fraquezas que os levaram ao sofrimento - paixões, egoísmo, orgulho, ódio desmedido. Toda a mitologia helênica, todo o Olimpo grego, com seus deuses, semideuses e deidades auxiliares, estão maravilhosamente descritos. Os deuses intervêm constantemente no desenvolvimento da ação, alguns em favor dos aqueus, outros em apoio aos troianos. Zeus, o deus supremo do Olimpo, imparcial, intervém apenas quando o herói ultrapassa os limites, ao proporcionar o tenebroso espetáculo de passear à volta de Tróia arrastando o cadáver mutilado de Heitor. O poema encerra grande volume de dados e pormenores geográficos, históricos, folclóricos e filosóficos, e descreve com perfeição os modelos de conduta e os valores morais. Matéria também postada no Portal EmDiv - http://www.emdiv.com.br/
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